quinta-feira, 26 de junho de 2008

VIDAS SECAS



VIDAS SECAS


De Graciliano Ramos



O NARRADOR

A história é contada por um narrador que parece estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Inclusive no interior de algumas das personagens, que aparecem na história. Transmitindo a angústia e os anseios de cada um deles, o que caracteriza uma onisciência seletiva. Pode-se perceber isso na seguinte passagem:

“O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça.”




Percebe-se ainda, que o narrador mantém uma relação que transpõe os limites entre narrador/personagem. Em "Vidas Secas", o narrador vive cada momento da vida dos retirantes e parece sofrer com eles:




“Por que tinham feito aquilo? Era o que não podia saber. Pessoa de bons costumes, sim senhor, nunca fora preso (...) Assim um homem não podia resistir.”




É um narrador que mesmo de fora na construção da história, está próximo de cada um dos personagens.




É isso.




Ale de Assis

sexta-feira, 20 de junho de 2008

VIDAS SECAS

VIDAS SECAS


Já que estamos falando de "Vidas Secas", e na postagem anterior publicamos o resumo do romance escrito por Graciliano Ramos, vamos falar um pouco da linguagem usada pelo autor em sua obra.




LINGUAGEM


As frases são curtas e ajudam a traduir a objetividade do autor em expressar a seca do sertão nordestino.


“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos.”




Nota-se ainda uma inteiração entre linguagem e nível sócio-cultural, que se evidencia na forma como é reproduzida a fala de Fabiano, sem nenhuma instrução, e que se comunica através de frases desenvolvidas, mas de expressões monossilábicas.


“Fabiano, que não esperava semelhante desatino, apenas grunhia: - Hum! Hum!”




Talvez como uma maneira de trazer à tona os sentimentos e anseios de seus personagens, Graciliano Ramos usa o discurso indireto livre, recurso que permite entender as falas em forma de “flash” no meio da narrativa.


“Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato.”




Há pequeno número de adjetivos usados para caracterizar o ambiente e os personagens.


“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos.”




Nesse sentido, linguagem e contexto estão intimamente ligados, buscando expressar clara e objetivamente a realidade de muitos que vivem como Fabiano e sua família.




Voltaremos, na próxima postagem, a falar de "Vidas Secas".



É isso.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

VIDAS SECAS


VIDAS SECAS
De Graciliano Ramos


O romance “Vidas Secas” narra o episódio de uma família de retirantes em busca de um lugar que lhes ofereça meios de melhorar suas condições de vida. Essa família é composta por Fabiano, homem humilde e trabalhador; Sinha Vitória, esposa resignada e fiel; o Menino mais novo e o Menino mais velho, crianças inocentes, representantes do anonimato social ; além da cachorra Baleia, animal que se humaniza em relação à dura realidade por que passa Fabiano e sua família.


Durante um longo percurso por um caminho que parece interminável, os personagens enfrentam diversas dificuldades, como a fome, a sede e a falta de um lugar onde pudessem se estabelecer. Depois de andarem muito, eles encontram uma casa que parecia abandonada. Se aproximaram e entram nela. Mas logo chega o dono, para quem Fabiano, depois de oferecer seus préstimos, começa a trabalhar, sendo vítima da seca, sua maior antagonista, e da exploração por parte do proprietário das terras.


Na fazenda, a família permanece algum tempo cuidando do rebanho do proprietário até que, desiludidos com o aparecimento das arribações* que, para eles “eram coisas da seca”, deixam a fazenda numa manhã bem cedo e continuam sua busca estrada a fora, na tentativa de um dia encontrarem um alento para suas vidas.


Prossegue na próxima postagem.


É isso.


* Segundo o Dicionário Houassis, arribação é a chegada em algum lugar; migração (animais, aves); melhora de sorte, saúde.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

VIDAS SECAS

VIDAS SECAS

De Gracialiano Ramos


Vamos iniciar postagens sobre o livro "Vidas Secas", do escritor Graciliano Ramos. "Vidas Secas" é o último romance de Graciliano Ramos e a sua única experiência com foco narrativo na terceira pessoa. A obra foi escrita em forma de espiral, cujo início fechado ("Mudança", cap 1) abre-se no final, com o último capítulo ("Fuga") conduzindo os personagens para um destino inusitado, mas que mantém o elo da desdita, da miséria, da fome e da pobreza.

Entre os dois capítulos-limites há 11 quadros que, aparentemente, nada possuem em comum a não ser os personagens e a paisagem.

A narrativa faz o leitor conhecer a história de uma família de retirantes nordestinos que foge da seca; encontra período de passageira estabilidade e parte novamente em retirada quando as chuvas deixam de cair, prenunciando um novo período de seca. A economia (de estilo, de linguagem, de vida e de cenário) pode ser destacada como a característica básica do volume.
Continuaremos falando de "Vidas Secas" nas próximas postagens.
É isso.