segunda-feira, 28 de abril de 2008

AUTO DA BARCA DO INFERNO



Obra de Gil Vicente

Já que nos post passado recomendamos a peça “AUTO DA BARCA DO INFERNO”, que está sendo encenada pelo grupo GATU, vamos falar um pouco mais dessa obra, que também está na lista pedida pela USP, Unicamp e PUC-SP. Para começar, vamos antes definir AUTO.

Definição de Auto: designação genérica para peças cuja finalidade é tanto divertir quanto instruir; seus temas, podendo ser religiosos ou profanos, ‘sérios ou cômicos, devem, no entanto, guardar um profundo sentido moralizador. O teatro vicentino (baseado nas obras de Gil Vicente) não foi escrito em prosa, mas em versos. Por isso é poético. Adotava, predominantemente, o verso redondilho (maior ou menor), de origem popular e medieval. No Brasil, destacam-se as peças didáticas de José de Anchieta (segunda metade do século XVI), “Morte e Vida Severina” (1956), de João Cabral de Melo Neto, e o “Auto da Compadecida” (1959), de Ariano Suassuna.
É isso.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

AUTO DA BARCA DO INFERNO


O Grupo GATU estréia “Auto da Barca do Inferno – O Duelo”, de Gil Vicente

O Grupo GATU vai estrear o espetáculo “Auto da Barca do Inferno – O Duelo” para inaugurar o Teatro Gil Vicente, neste sábado, dia 26 de abril. A encenação da peça do mais ilustre dramaturgo português Gil Vicente irá homenagear os 200 anos da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil (1808). No elenco da peça estão as atrizes Daniela Rocha, Eloisa Vitz, Laura Vidotto e Miriam Jardim e os atores convidados Diogo Pasquim, Elam Lima, Élcio Rodrigues, Gabriel Ferry, Manfrini Fabretti, Rafael Gracciolli e Romeu Bart.


Sob a direção de Eloisa Vitz, a peça narra o juízo final de forma satírica. A peça acontece em uma espécie de porto, onde se encontram duas barcas: uma com destino ao inferno, comandada pelo diabo, e a outra, com destino ao paraíso, comandada por um anjo. Ambos os comandantes aguardam os mortos, que são as almas que seguirão ao paraíso ou ao inferno. A primeira a chegar é uma marquesa, seguida por um agiota, um parvo, um sapateiro, um frade, uma alcoviteira, um judeu, um juiz, um promotor, um enforcado e quatro cavaleiros. A peça encanta pelo discurso, pela poesia e pela comicidade. A proposta do Grupo GATU é trazer aos palcos a genialidade agregada à contemporaneidade da temática.


A montagem da peça recria o século XVI português com sua expansão marítima, suas naus, suas vestimentas e seus personagens. A essência da obra está intacta e cultuada. A contemporaneidade da peça conecta-se quando vemos em cada personagem um reflexo do ser humano e da nossa sociedade. O “Auto da Barca do Inferno” foi representado pela primeira vez em 1517. É a primeira parte da chamada trilogia das Barcas; a segunda e a terceira são, respectivamente, o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória. "Auto" é uma designação genérica, originária da Idade Média, para uma peça ou pequena representação teatral. Foi Gil Vicente (1465-1537) que introduziu esse tipo de teatro em Portugal. O texto do Auto é escrito em versos rimados, cheios de ironia, trocadilhos e metáforas, o que agrada a todos os espectadores.

Serviço: A peça “Auto da Barca do Inferno – O Duelo” acontece de 26/4/2008 a 29/6/2008 no Teatro Gil Vicente, que fica na avenida Rudge, 315 – Campos Elíseos.
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) R$15,00 (meia). Mais informações pelo fone (11) 3618-9014.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

VESTIBULAR E LEITURA

Neste final sábado, dia 19, em função do feriado, não acontecerá a leitura de livros selecionados tanto pela USP, Unicamp e que também serão pedidos no vestibular da PUC-SP. O projeto “Vestibular e Leitura” é uma parceria da Secretaria Municipal de Educação e os professores da Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUC-SP. A série volta, normalmente, no próximo dia 26, com a obra “A Rosa do Povo”, de Carlos Drummond de Andrade e que será interpretada por Ana Maria Salles.

DIA 26/4A Rosa do Povo”, de Carlos Drummond de Andrade por Ana Maria Salles.
Local: Sala Olido, que fica na avenida São João, 473, no Centro.
Horário: das 10h às 12h30Mais informações pelos fones (11) 3241-3459 ou 3256-5270 (r. 206) ou pelos e-mails aeaviviani@prefeitura.sp.gov.br ou dperelmutter@prefeitura.sp.com.br
DICA: Em alguns resumos, aparecerão termos como os que seguem abaixo. Fique ligado!
ROMANTISMO – é todo um período cultural, artístico e literário que se inicia na Europa no final do século XVIII, espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX. Os berços do romantismo podem ser considerados três países: Itália, Alemanha e Inglaterra. Porém, na França, o romantismo ganha força como em nenhum outro país e, através dos artistas franceses, os ideais românticos espalham-se pela Europa e pela América.
As características principais deste período são: valorização das emoções, liberdade de criação, amor platônico, temas religiosos, individualismo, nacionalismo e história. Este período foi fortemente influenciado pelos ideais do iluminismo e pela liberdade conquistada na Revolução Francesa.
No Brasil, o romantismo é carregado de lusofobia (desprezo pelas nossas origens históricas e por Portugal) e, principalmente, de nacionalismo.
INDIANISMO – obras em que retratam o índio como valente e nobre, livre das corrupções sociais e dos vícios da civilização branca. Ele surge como digno representante da nação brasileira, símbolo da liberdade do povo brasileiro.
É isso.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

AINDA IRACEMA




Depois de se propor ler a obra de José de Alencar, o leitor poderá perceber que se trata de um romance se considerarmos seu enredo. Mas, por outro lado, é um poema em forma de prosa*, se levarmos em conta o estilo, em que predomina o lirismo amoroso e a exploração do vocabulário indígena no português falado no Brasil. O texto é muito breve, com cerca de 80 páginas nas edições mais recentes. Com um enredo de aventuras e peripécias, bem ao gosto do Romantismo, escola literária da qual Alencar é um dos expoentes no Brasil.

O amor e afeto dos protagonistas, a índia Iracema e o branco Martim, surgem aos poucos e depois se transforma e paixão. A situação se complica, pois o índio Irapuã também estava apaixonado pela índia e tentou matar Martim quando este já deixava a aldeia, após descobrir que Iracema, por ser filha do pajé e guardiã do segredo da jurema, deveria permanecer solteira. Das brigas e embates surgidos desse romance e dos conflitos entre índios e brancos, nasce Moacir, que significa “o filho do sofrimento”.

O simbolismo da narrativa de Alencar é evidente: do cruzamento das duas raças, o europeu e o índio, nasce o brasileiro. Nesse sentido, a obra é uma expressão do Indianismo que caracterizou a primeira fase do Romantismo no Brasil. O Brasil comemorava 43 anos da Independência quando Iracema foi publicado (1865) e por isso, nada mais natural para o País valorizar suas raízes e sua história, para se afirmar como nação livre e soberana.
Vale conferir o texto em sua íntegra.
É isso
.


* Prosa – segundo o Dicionário Aurélio é a forma natural de falar ou escrever, em oposição a verso. Conversa.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

IRACEMA - A Virgem dos lábios de mel"


"Iracema", do escritor José de Alencar

A “virgem dos lábios de mel”, mulher de fibra, corajosa


O livro “Iracema” foi publicado em 1865, e recebeu o subtítulo “Lenda do Ceará”. Apesar de algumas intervenções de um narrador em 1ª pessoa, o romance é predominantemente narrado em 3ª pessoa. O livro é exemplo do indianismo romântico que carrega o fardo idealista de heroísmo e pureza sem mácula, valorizando o passado nacional para justificar o presente - a independência política de Portugal.
Iracema, “a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira”, é a filha do pajé da Tribo Tabajara* e sacerdotisa da tribo. Mulher de fibra, corajosa, não hesita em abandonar seus valores, sua tribo, sua família e sua condição de sacerdotisa para entregar-se e viver um grande amor.

Ela simboliza a terra brasileira: dócil, mas enérgica, acolhedora e pronta para receber o estrangeiro amigo. Simboliza também o processo de aculturação que o indígena brasileiro sofrerá. Apaixona-se pelo guerreiro português Martim Soares Moreno, mas o amor é impossível, por ser ela a guardiã da bebida sagrada de Jurema, devendo sempre manter-se casta.
Ao entregar-se a Martim, abandona a tribo e rompe com suas tradições. O português Martim é um guerreiro branco, amigo dos pitiguaras (habitantes do litoral), inimigo dos tabajaras, representa o colonizador português, enaltecido como bravo, valente, fiel, cristão, pronto a enfrentar os perigos para proteger os interesses de sua pátria. Envolve-se com Iracema, embora guarde lembranças da virgem branca que deixou em Portugal. Martim e Iracema vivem um belo amor na floresta, mas os trabalhos de guerra separam os felizes esposos.

A índia dá à luz uma criança - Moacir, o filho da dor -, símbolo da união do branco com o índio, que marca a origem do povo brasileiro. Ao retornar, Martim encontra Iracema à beira da morte. Enterra-a ao pé de uma palmeira: o lugar passa a se chamar “Ceará”. Martim parte para Portugal em companhia do filho e retorna quatro anos depois, para implantar a fé cristã. Destacam-se também, como personagens, Caubi, irmão de Iracema, exemplo de lealdade e dedicação fraterna e Irapuã, cacique da tribo dos tabajaras, vingativo e mau, apaixonado por Iracema. Movido pelo ciúme, investe e incentiva a luta contra os guerreiros pitiguaras, liderados por Martim, Poti e Jacaúna, irmão de Poti e cacique da tribo.
Percebe-se que ousado e inovador, José de Alencar rompeu com padrões estilísticos e gramaticais do português literário do século XIX procurando criar uma língua brasileira, pesquisando vocábulos de origem indígena. Extremamente lírico, Iracema transformou-se em um dos mais louvados poemas em prosa da Literatura Brasileira. Alencar utiliza adjetivação abundante, excesso de comparações, pontuação excessiva e prefere períodos coordenados.

* Os índios tabajaras nasceram na remota e agreste serra de Ibiapaba, dentro do então isolado município cearense de Tianguá, na divisa com o Piauí e conseguiram chegar ao Rio de Janeiro.
DICA: É preciso perceber os elementos econômicos e sociais da época, para poder fazer uma "leitura" completa da obra e dos conflitos que o autor apresenta. Essa interligação, geralmente, é pedida pelos elaborados das provas. É isso

sexta-feira, 11 de abril de 2008

TÁ NA USP, TÁ NA REDE

O site da Fuvest (www.fuvest.com.br) oferece, aos interessados, a possibilidade de receber capítulos de livros dos autores Álvares de Azevedo, José de Alencar e Machado de Assis (Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas) através do e-mail. Basta acessar o endereço eletrônico, clicar no link “Livros” e em seguida na frase “Clique aqui para saber como”. Depois, é só informar o e-mail pessoal e criar uma senha. Com isso, é possível a receber um capítulo por dia das obras disponíveis na biblioteca virtual do site. É só escolher.

AVISO: A partir da próxima semana, começo a postar resumos e informações dos livros pedidos nos vestibulares da Fuvest e Unicamp. Alguns deles também são exigidos por universidades particulares.
É isso.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

USP QUER MAIS ALUNOS DA REDE PÚBLICA NOS SEUS CURSOS

USP aumenta bônus para estudantes de escolas públicas

Idéia é aumentar número de alunos da rede pública na USP


A Universidade de São Paulo (USP) decidiu ampliar seu programa de bonificação a alunos da rede pública de ensino no próximo vestibular, que acontecerá provavelmente em novembro deste ano. Com a mudança, os estudantes de escolas públicas poderão ter acréscimo de até 12% em cada uma das duas fases do vestibular. Hoje, a bonificação é de apenas 3%, também nas duas fases.
Esse programa da USP tem por objetivo aumentar a presença dos alunos das escolas públicas na instituição, a mais procurada por estudantes de todas as regiões do País. Apenas 25% dos aprovados no vestibular da USP estudaram em escola pública.
Para se chegar aos 12% de bônus, haverá três tipos de benefício: os 3% já anunciados desde 2006; nota de prova específica para os alunos da rede pública (que deve acontecer até o mês de outubro deste ano) e a outra bonificação virá por meio da nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que poderá render um acréscimo de até 6
% no vestibular.Vale a pena tentar esse acréscimo na nota do vestibular da USP.
É isso.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

"VIDAS SECAS" EM VÍDEO

Em post passado, escrevi que, infelizmente, o livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, não está disponível no site “Domínio Público”. No entanto, é possível conhecer um pouco da história através do filme de mesmo nome. Ele pode ser encontrado em versão VHS (vídeo). O filme é de 1963, tem 105 minutos de duração e foi todo filmado em preto e branco.
Ele pode ser alugado ou comprado na rede paulista "2001Vídeo". Mais informações no http://www.2001video.com.br.
Vale conferir. É isso.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

LEITURAS DRAMÁTICAS


Para quem ainda não conhece nada sobre as obras pedidas nos vestibulares da USP e Unicamp, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que também segue parte dessa lista de livros, vai dar uma mãozinha para os marinheiros de primeira viagem. Vale a pena conferir uma série de palestras que será dada por professores da Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUC-SP, que acontecerá a partir deste sábado, dia 5, na Sala Olido.

Essa notícia saiu no caderno Folhateen, do jornal Folha de São Paulo, do último dia 31 de março. Vale a pena conferir.

Programação Vestibular e Leitura. É grátis e acontece todos os sábados.

5/4 - "Vidas Secas", de Graciliano Ramos por Carlos Eduardo Siqueira.

12/4 - "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida
por Edilene Dias Matos.

26/4 - "A Rosa do Povo", de Carlos Drummond de Andrade por Ana Maria Salles.

10/5 - "Iracema", de José de Alencar por Carlos Eduardo Siqueira.

17/5 - "Sagarana", de Guimarães Rosa por Erson Martins de Oliveira.

31/5 - "O Velho da Horta", de Gil Vicente por Fernando Segolin.

7/6 - "A Cidade e as Serras", de Eça de Queirós por Vera Bastazin.

14/6 - "Dom Casmurro", de Machado de Assis por Maria Aparecida Junqueira.

21/6 - "Poemas Completos de Alberto Caieiro", de Fernando Pessoa por Fernando Segolin.

Local: A Sala Olido fica na avenida São João, 473, no Centro.
Horário: das 10h às 12h30. Mais informações pelos fones (11) 3241-3459 ou 3256-5270 (r. 206) ou pelos e-mails aeaviviani@prefeitura.sp.gov.br ou dperelmutter@prefeitura.sp.com.br.


É isso.