quinta-feira, 17 de abril de 2008

AINDA IRACEMA




Depois de se propor ler a obra de José de Alencar, o leitor poderá perceber que se trata de um romance se considerarmos seu enredo. Mas, por outro lado, é um poema em forma de prosa*, se levarmos em conta o estilo, em que predomina o lirismo amoroso e a exploração do vocabulário indígena no português falado no Brasil. O texto é muito breve, com cerca de 80 páginas nas edições mais recentes. Com um enredo de aventuras e peripécias, bem ao gosto do Romantismo, escola literária da qual Alencar é um dos expoentes no Brasil.

O amor e afeto dos protagonistas, a índia Iracema e o branco Martim, surgem aos poucos e depois se transforma e paixão. A situação se complica, pois o índio Irapuã também estava apaixonado pela índia e tentou matar Martim quando este já deixava a aldeia, após descobrir que Iracema, por ser filha do pajé e guardiã do segredo da jurema, deveria permanecer solteira. Das brigas e embates surgidos desse romance e dos conflitos entre índios e brancos, nasce Moacir, que significa “o filho do sofrimento”.

O simbolismo da narrativa de Alencar é evidente: do cruzamento das duas raças, o europeu e o índio, nasce o brasileiro. Nesse sentido, a obra é uma expressão do Indianismo que caracterizou a primeira fase do Romantismo no Brasil. O Brasil comemorava 43 anos da Independência quando Iracema foi publicado (1865) e por isso, nada mais natural para o País valorizar suas raízes e sua história, para se afirmar como nação livre e soberana.
Vale conferir o texto em sua íntegra.
É isso
.


* Prosa – segundo o Dicionário Aurélio é a forma natural de falar ou escrever, em oposição a verso. Conversa.

Nenhum comentário: